14 agosto 2012

O FIM DO MUNDO OU FIM DE UMA ERA?



Todas as previsões sobre o fim do mundo, dos maias ao apocalipse de João, de Nostradamus a Edgar Cayce, falam de tempos difíceis, de grandes dores e destruições a serem vividos pela Terra. 

Por outro lado, pelo menos duas outras frentes falam dos aspectos da renovação espiritual que urge ocorrer com a humanidade, uma delas proveniente de certa linha ufológica, onde canalizadores (o mesmo que médiuns para a Doutrina Espírita) menos preocupados com UFOS e ET`s e mais com a qualidade moral do espírito, repassam informações de seres de outros orbes, a exemplo de Bashar, orientando os interessados em questões de valores e virtudes. A outra frente é o próprio Espiritismo, o qual nasceu por orientação divina e iniciativa de espíritos de escol deste planeta, para falar de moral, mudança, progresso e transformação espiritual e material da Terra e dos homens.

Focando nesse último aspecto, que já não faz, como outrora, as pessoas olharem desconfiadas para quem crê em comunicabilidade com o mundo espiritual, nem mais incita pensamentos sobre os possíveis efeitos da loucura travestida de crença, ficamos com os alertas cristãos para a última hora - "muitos são os chamados e poucos os escolhidos" (Mateus 20:1-16).

A cada dia surgem mais e mais avisos de espíritos através de médiuns sérios, os quais confirmam que graves transformações exigem graves compromissos por parte de cada indivíduo. E não é de hoje que estes avisos tem sido rejeitados como falsos alertas, metáforas espirituais, ou possibilidade futura distante e, por isso, sem impacto imediato em nossas preocupações.

Entre as décadas de 1950 e 1960, o espírito Ramatís e seu médium Hercílio Maes foram rechaçados pelos espíritas (vide obra "Mensagens do Astral"), muitos sem mesmo lerem suas obras, acusando-os de pseudo-sábios por que alertavam para os tempos previstos do fim de uma era, prevendo o insano comportamento humano e o resultado material de muitas infelizes escolhas que provocariam grande mal estar geral. 

Atualmente, Divaldo Pereira Franco, dentre outros, diz em nome dos espíritos Joanna de Angelis (vide o texto "A Grande Transição") e Manoel Philomeno de Miranda (vide a obra "Transição Planetária"), por exemplo, que a evolução da Terra de mundo de expiações para de regeneração, não será fácil, mas que a atitude comprometida do cristão pode ajudar a minimizar os sofrimentos pessoais e coletivos.

Em obra do médium André Luiz Ruiz ("No final da última hora"), o espírito Lucius expõe os esforços de Bezerra de Menezes e espíritos ainda mais evoluídos que o Médico dos Pobres, oriundos desse e de outros planetas, para que a dor do parto de uma nova era seja a menor possível, nesses tempos da separação do joio e do trigo prevista por Jesus.

Enquanto a espiritualidade de todos os modos, em todas as religiões e fora delas, procura despertar os adormecidos na vida encarnada, os homens ainda tapam o sol com a peneira, parecem preferir ser cegos de olhos albertos, equivocados e absorvidos pelas ambições efêmeras e egoísticas de uma sociedade que não vê senão o melhor para o seu próprio agora.

Grande número de pessoas tem procurado despertar dessa imensa “matrix” de efeitos mundanos que os insere em um turbilhão de valores aparentes e imediatistas, mas falta a muitos deles o estímulo da palavra que faz refletir e o exemplo que prova o valor das palavras, estímulo e exemplo que todos deveriam dar.

Muitos espíritas também estão perdidos nesse contexto, eles que creem que há vida em todos os mundos, eles que sabem da influência dos bons e maus espíritos, eles que conhecem o momento presente de transição de mundo de expiações para de regeneração e as implicações materiais e morais disso. 

A responsabilidade de quem sabe, sobretudo a dos espíritas, é a maior de todas, mesmo assim ainda há dentre estes os que continuam limitados às paredes do Centro Espírita, certamente fazendo o melhor possível nos imprescindíveis trabalhos de orientar assistidos, dar passes, doutrinar espíritos, atuando materialmente em prol da caridade na creche ou lar de necessitados que apadrinham – mas param por ai, deixando para o mundo fora do CE, o mesmo comportamento de qualquer um que desconhece o que sabem.

Esse artigo tornará algumas pessoas incrédulas e às primeiras linhas  pensarão que são ideias insanas de uma fanática religioso qualquer; outras questionarão o que aconteceu a uma pessoa que se embasa estritamente na codificação espírita em suas divulgações, para falar de profecias, ufologia, Ramatís e fim do mundo; outras, depois de saciarem a curiosidade, deixarão o tema de lado, já que não contamos o que acontecerá em 21 de dezembro de 2012; e outras, dentre as quais espero esteja a maioria, passarão a pensar a respeito, pesquisarão os nomes e obras citadas, tentarão adequar-se ao que pede a hora presente, acelerando na direção de sua evolução moral.

Fui alertada com firmeza nessa noite, em desdobramento espiritual marcante, que não existe mais muro para ficar em cima, nem tempo para protelar a escolha do lado onde desejaremos estar. Ou somos bons ou não somos, e quem não é bom, é mau.

No inesquecível alerta que recebi, fui estimulada a não calar, a chamar a atenção para essas reflexões, provaram-me que quem ousar falar, realizar, exemplificar, será tido por auxiliar do Cristo na Terra e terá mais trabalho – e menos dores na alma.

Não há por que temer, mas há por que se preocupar - mesmo que a transição planetária que ora seleciona a humanidade classificando-a com Jesus em joio e trigo, em bons e maus, não pareça realidade ou soe lenta, qualquer hora destas seremos interrogados pela vida, sobre nossas preferências.

O homem que quer o mundo da matéria e seus benefícios, escolhe quase sempre uma estrada que o distancia do céu. E se alguém quer o céu, é hora de despertar!

(Sob inspiração).

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“Enquanto viceje o mal, no mundo, o ser humano torna-se-lhe vítima preferida, em face do egoísmo em que se estorcega, apenas por eleição espiritual. A dor momentânea que o fere, convida-o por outro lado, à observância das necessidades de seguir a correnteza do amor no rumo do oceano da paz. Logo passado o período de aflição, chegará o da harmonia. Até lá, que todos os investimentos sejam de bondade e de ternura, de abnegação e de irrestrita confiança em Deus”. (Joanna de Angelis, “A grande transição”)

04 julho 2012

COMO JESUS SALVA, segundo o Espiritismo?

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Uma das maiores ressalvas de cristãos de outras denominações religiosas, contra o Espiritismo, que é também cristão, está no entendimento diferenciado da salvação. 

Há uma necessidade imensa não só de o espírita saber explicar o entendimento doutrinário, como dos irmãos de outras religiões compreenderem que não somos contra o que pensam, apenas seguimos uma ótica mais espiritual da mensagem de Jesus.

Para muitas religiões, basta aceitar a Jesus como único salvador e isso fatalmente acontecerá, a salvação não vem, segundo elas, pelas obras, mas pela fé; as obras, nesse contexto, não são necessárias, mas podem ser resultantes.

O Espiritismo compreende de forma um pouco diferente.

Muitos espíritas esclarecem que salvamos a nós mesmos, porém falta uma maior explicação nessa afirmativa. Dizer que nos salvamos, parece significar aos olhos de outros religiosos, que nos abstemos de Jesus nesse processo, o que não é verdade de modo algum.

Em João 10:9, Jesus diz “Eu sou a porta; se alguém entrar por mim, salvar-se-á...”. Como entender essa afirmação? Que tudo o que ele ensinou é o caminho de salvação. E o que ele ensinou, mencionado em Marcos 12:28-31, está resumido dessa forma: “amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”. E como amamos ao próximo? Através da prática da caridade.

Em João 14:6 disse Jesus mais uma vez: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim”. Ora, o Cristo ensinou e praticou uma mensagem, por isso ele é o caminho, fazer o que ele ensinou e exemplificou é inequivocamente o caminho de salvação, pois em texto algum ele disse “basta ter fé e esperar e eu o salvarei apesar dos seus pecados”.

Em Atos 16:30-31, Paulo e Silas são questionados sobre o que era necessário para salvação; a resposta diz: “crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo, tu e a tua casa”. Exato, se acreditarmos em Jesus faremos o que ele disse e exemplificou, portanto, amaremos a Deus, a nós mesmos e ao próximo, de forma ativa, amor que se chama caridade.

Já em Tiago 2:14-26, há a mais transparente afirmação de que não basta a fé inativa em Jesus, para salvar. Diz Tiago que não haverá misericórdia para quem não teve misericórdia e pergunta: “...que aproveita se alguém disser que tem fé, e não tiver as obras? Porventura a fé pode salvá-lo? E, se o irmão ou a irmã estiverem nus, e tiverem falta de mantimento cotidiano, e algum de vós lhes disser: Ide em paz, aquentai-vos, e fartai-vos; e não lhes derdes as coisas necessárias para o corpo, que proveito virá daí?Assim também a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma”. 

Eis por que motivos Jesus salva, segundo o Espiritismo, através das obras individuais. Ele é o modelo de comportamento ideal, é a alma mais elevada e pura que já transitou por essas paragens, é o detentor da mensagem salvadora e qualquer um, ainda que não o conheça, pode praticar o que ensinou, desse modo será salvo, pois terá modificado sua má índole, corrigido suas imperfeições, praticado o amor a Deus enquanto ama a si e ao próximo. A partir das obras, ninguém se perderá e essa verdade é bem mais compatível com o infinito amor de Deus e com a assertiva cristã em João 18:9 de que "nenhuma de minhas ovelhas se perderá".

Diferente do que pensam muitos, sim, Jesus salva também no Espiritismo; a mensagem e o exemplo esclarecedor que nos deu a certeza de um caminho, mensagem esta que se espalhou por todos os lugares independente de religião, salva-nos através do trabalho de amor e caridade.

Não se acomodem à fé inativa, pois ela os decepcionará profundamente quando a morte e o juízo vier julgar sua consciência. Pensem na falta de razoabilidade da proposta meramente salvacionista sem esforço! 

Sem considerar a falta de lógica de querermos salvação conhecendo o que é preciso fazer, mas dois mil anos depois cometendo os mesmos erros, ainda há pessoas que segregam em nome de Deus, que julgam em nome de Jesus, pessoas que possuem incontáveis imperfeições, muitas fundadas no egoísmo, e que não se esforçam em seguir o caminho prático ensinado pelo Cristo, em prol de apenas nele acreditarem, com a fé endurecida pela falta de amor.

Jesus salva quando abandonamos o comodismo, quando deixamos para trás o que retém a alma no limbo da ambição, do poder, dos prazeres efêmeros. 

Jesus salva quando conseguimos realizar passo a passo, a caridade que incentivou na Parábola do Bom Samaritano, usada como modelo de comportamento quando questionado em Lucas 10:25-37 "Mestre, que farei para herdar a vida eterna?". Sua resposta foi "amar o próximo", assim como a lei ensinava, e quem lhe questiona pergunta “quem é meu próximo?”. Diz Jesus, com a parábola, que todos o são e todos podem ser instrumentos do nosso amor.

O espírita sabe que Jesus salva, mas para ser salvo precisamos trabalhar, merecer, amar, realizar a caridade. Nem o homem, imperfeito como é, premia quem nada fez por merecer, somente o mérito do esforço no caminho do Cristo é que dá à fé o poder de concluir essa salvação.

Esse é o modo COMO JESUS SALVA, segundo o Espiritismo.


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18 junho 2012

As pessoas ainda seriam cristãs se...




Sempre que penso em tudo o que devo vir a ser um dia, moral e espiritualmente falando, quando reflito sobre todas as conquistas da alma que desejo alcançar, quando analiso todas as virtudes que aos poucos tenho trabalhado para desenvolver, penso em Jesus como aquele que conseguiu me motivar.

Mas não posso desconsiderar a ideia de que não se provou materialmente, ainda, a existência desse homem que passou pela Terra e a transformou essencialmente. E por ter os pés no chão, sabendo que existem controvérsias em sua história, perguntei-me o que seria da minha fé se a ciência provasse que ele não existiu ou era somente um revolucionário que endeusaram para ser ícone da antiga igreja romana.

Já se perguntaram isso? 
O que seria de sua fé se Jesus não fosse real?

Pois eu me perguntei e sei a resposta. 
A minha fé seria a mesma. 

Amo o Cristo e idealizo o dia em que merecerei olhá-lo nos olhos, pois tenho convicção que isso é possível. Mas amo ainda mais a lição que dizem ser dele e que está implícita em diversas outras filosofias, mundo afora. É a mensagem, não o homem, que me transforma; é a mensagem, não o nome, que me faz querer mudar.

Se Jesus não existisse eu ainda seria cristã, permaneceria sendo espírita (o Espiritismo é cristão), continuaria a falar de amor, caridade, fraternidade, fé, esperança, vida futura, evolução; ainda lutaria para ser o que creio e falo; continuaria a contar as parábolas do bom samaritano, do joio e do trigo, do semeador... 

Sim, creio em Jesus e o amo. Mas sou cristã porque ele ensinou o caminho que eu deveria trilhar para vir a ser um espírito bom e feliz. Você seria assim também, se ele não existisse?



14 junho 2012

O joio e o trigo




Na parábola do joio e do trigo, Jesus diz que em meio à boa semeadura, um inimigo semeou sementes ruins; conta que o dono das terras recusou que seus empregados arrancassem as plantas nascentes, "para que não suceda que, tirando o joio, arranqueis com ele também o trigo. Deixai crescer ambos juntos até à ceifa".

Tenho absoluta convicção que vivemos tempo de permissão do crescimento que antecede a colheita do joio e do trigo. Vemos em todas as áreas um intenso confronto de ideias e ideais, permanente luta entre bem e mal, um tortuoso conflito entre certo, errado, moral, imoral, amoral, normal e natural.

Se Deus procedesse, como muitos questionam que poderia fazer, com a arrancada do joio (o mal e quem lhe representa), poderia tirar a a oportunidade da planta (alma humana) de crescer e amadurecer seus grãos (evoluir através das experiências), impedindo-a de mostrar que, em realidade, é trigo (tornou-se partidária do Bem).

Deus é onisciente e sabe quem é joio e quem é trigo, quem tem no peito a ânsia de lutar contra as imperfeições e tornar-se pessoa digna e moral, boa em seus atos, pensamentos, intenções, bem como quem ainda não é assim. Deus poderia, desde já, desde sempre, eliminar o mal da Terra excluindo tais espíritos renitentes do planeta, deixando somente os bem intencionados. Mas seria isso justo? Quem gostaria de ser julgado pelo que ainda não pensou, ainda não decidiu, ainda não realizou? Se o prêmio não é lícito a quem não o ganhou, seria lícita a punição a quem ainda não errou?

Na sua imensurável justiça, Deus tem dado o tempo necessário (o qual finda, neste planeta), para que os que ainda estão sobre o muro (como a maioria dos indivíduos está), decidam o que querem para si mesmos.

Os que decidirem descer para o lado escuro do muro serão tragados pelas próprias ações e levados a um mundo compatível com seus temporários ideais. Serão futuros " Adão e Eva", expulsos do paraíso, que lutarão contra as adversidades de um mundo inóspito, a fim de que pela necessidade conheçam o trabalho construtivo e a fraternidade.

Os que decidirem descer para o lado da luz, estes irão reconstruir a Terra, pois aqui temos muita beleza, muita boa vontade, conhecimento tecnológico, científico, filosófico, possibilidades suficientes para deslanchar nossa evolução rapidamente, quando a maioria assim o quiser.

Os que ainda estão sobre o muro, sem saber se são bons ou maus, agindo irresponsavelmente ou vivendo omissivamente, estes, é uma pena, tendem a ser joio... a inatividade, o comodismo, o egoísmo de defender apenas o que lhes convém não são atitudes representativas de amor, de fraternidade, de caridade, não são qualidades do trigo.

É tempo de acelerar o crescimento na direção do sol, produzindo os frutos corretos. Para os que creem em salvacionismo sem esforço, para os que descreem de Deus, para os que acreditam que sempre terão tempo para dar um jeitinho, somente posso sugerir que pensem que a vida física acaba e que se o que digo agora (ideia espírita inspirada no Cristo) for verdade (tenho certeza que é), talvez sofram por não terem escolhido a bagagem correta para a grande viagem.

Sei que não luto só.
Desejo paz a cada coração.




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16 maio 2012

Espiritismo, espíritas... ser alguém melhor....



O intuito primordial da religião é dizer ao homem que ele não está na Terra por mero acaso, mas sim para evoluir e conseguir aproximar-se do Criador. Esqueçamos por um momento que há religiões com maus representantes e religiões inventadas para satisfazer o ego humano; não falo destas, mas das que seriamente se propõe a ser um dos caminhos para a compreensão dos objetivos da vida carnal e do sentido da existência da vida e de Deus.

Dentre tantas religiões que podem nos estimular ao desenvolvimento moral e espiritual, está o Espiritismo, conhecido também como Doutrina Espírita. Ele tem peculiaridades: não acusa, não define destinos, não rejeita outras religiões nem religiosos, ensina o caminho da salvação sem ser salvacionista.

Embora para mim e sob o aval de Allan Kardec, o Espiritismo seja religião, não foi intitulado pelo Codificador como tal, porque se diferencia das demais religiões nas questões da forma: não possui padres ou pastores, não usa roupas ou paramentos, não faz ritos especiais, quaisquer atos ou preces possuem um sentido espiritual plenamente explicável, sem misticismos ou segredos, que leva à busca e aproximação de Deus.

Como doutrina, o Espiritismo: não obriga a crença: estimula, incentiva, esclarece para que ela nasça e se sustente; não dissemina medo da morte e de Deus: espalha esperanças e certezas na forma de lógica e razão; não busca converter: convence os que lhes buscam as fileiras, com reflexões filosóficas e lógicas; não se preocupa em mudar caminhos de fé: ensina a aplicar a fé aos caminhos.

O espírita é uma pessoa comum, com virtudes e imperfeições. Mas o estudo e a compreensão dos objetivos da encarnação, bem como a comunicabilidade com os espíritos, tendem a levá-lo a ser mais tolerante, paciente, mais comprometido com sua transformação pessoal e com a do próximo, através de exemplos, não de sermões impositivos.

Ser espírita é estudar as obras básicas e fazer do conteúdo do estudo, uma aplicação prática. É passar o dia procurando fazer diferente e melhor aquilo que ainda não fez direito ou bem. É conhecer-se para mudar, confiando que Deus instrumentaliza a vida para que ela nos apoie em nossos bons atos e decisões.

Ser espírita só é vantagem para quem vestiu sua camisa com a alma, pois de nada adianta dizer-se espírita sem exercitar uma de suas premissas essenciais: "Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral, e pelos esforços que faz para domar suas más inclinações". Conhecer o Espiritismo, dizer-se espírita e não mudar, é aumentar a responsabilidade desperdiçando oportunidade.

Ser espírita é carregar uma bandeira, a da paz e do amor ao próximo. Ele não pode compactuar, assim como não faz o Espiritismo, com preconceito algum, muito menos o de religiões.

Há graus maiores ou menores de aplicação, pelos espíritas, disso que foi dito e mais, pois os indivíduos são diferentes em sua compreensão e dedicação; mas lhes digo, em um verdadeiro espírita vocês encontrarão se não a virtude, no mínimo a vontade de obtê-las na forma do insistente exercício para desenvolvê-las.

De minha parte, há muito vesti a camisa, ergui a bandeira, não pelo rótulo religioso que o Espiritismo me oferece, mas porque efetivamente tornei-me alguém melhor (e ainda torno-me) sob a proteção do conhecimento que me ofereceu a Doutrina Espírita. 

Por isso diariamente venho a vocês para dividir minhas reflexões, numa humilde tentativa de mostrar-lhes a mão estendida, dizendo "seja, qual for sua fé religiosa, venha comigo nessa jornada em busca da moral espiritual que nos faz progredir como seres humanos."

Se espíritas, católicos, evangélicos, budistas, umbandistas, muçulmanos, agnósticos, ateus ou de outras denominações, o que deve importar é que na Terra, o amor que buscamos como ideal se traduz na forma moral como agimos; e essa moral não tem necessidade de bandeira alguma. 

Ser espírita, nesse contexto, é apenas prestar mais atenção aos sinais da vida para aproveitar melhor as oportunidades para evoluir.




07 maio 2012

Espiritismo aplicado





Quando criei o título deste artigo, imaginei que as pessoas irão corretamente pensar em conhecimentos doutrinários aplicados no mundo, não apenas nos ambientes favoráveis como o Centro Espírita. Mas, na realidade muitos espíritas ainda evitam a sua clara exposição de fé nas atividades cotidianas, procurando ser morais e bons sem, no entanto, dizerem qual a sua motivação.

Sinto imensa alegria ao verificar que aos poucos as coisas estão mudando sob esse aspecto. Há décadas o Espiritismo tem conquistado o respeito das pessoas e isso facilita que mais integrantes de sua seara sejam encorajados a exporem-se sem medo de retaliações, pois o preconceito religioso consegue ser cruel tanto quanto qualquer outro tipo de preconceito.

A questão é que ostensivamente podemos ser, por exemplo, médicos espíritas", além de espíritas médicos; da mesma forma podemos ser advogados espíritas“, “juízes espíritas“, “professores espíritas“, “escritores espíritas“, “jogadores de futebol espíritas… são infinitos os papéis sociais que podem ser exercidos com a vestimenta moral do espírita.

Sei que muitos discordarão quando digo que precisamos nos expor mais quanto a questão da fé, pois acham que seria uma espécie de imposição. Mas se me permitem, sou exemplo vivo de que estão equivocados. Por ser expansiva e direta, nunca omito a minha condição de espírita, aproveitando toda e qualquer oportunidade para fazer referência a essa situação. E por não ver separação entre a moral espírita e a moral humana necessária para uma boa existência, nunca desvinculo meus atos da fonte que os motivou.

Essa atitude de transparência nitidamente atrai a atenção das pessoas para a realidade espírita: fazem questionamentos, pedem dicas de livros, perguntam onde podem assistir palestras, procuram para obter vibrações em momentos de dificuldades, isso dentre outras reações tão positivas quanto as citadas. Esse modo de ser, além de tudo, privilegia o relacionamento e a conversa aberta sobre fé e religião com católicos, evangélicos, testemunhas de jeová, umbandistas, ateus, budistas e quem mais quiser. 

Usei-me como exemplo por saber que o que digo é fato, mas é certo que que cada leitor pode experimentar por si mesmo e tirar a dúvida. Em se tratando de exposição da condição de espírita, diga-se, aliás, que há tempos existem diversos grupos de profissionais espíritas que se reúnem para estudar a profissão e a sua intervenção no mundo sob a ótica espírita. Esses grupos são de profissionais e espíritas, os quais unem os dois aspectos de suas existências em um mundo só, o da prática profissional moralizada pelo conhecimento doutrinário. Já existe a Associação Jurídico-Espírita, a Associação dos Magistrados Espíritas, a Associação de Médicos Espíritas, a União dos Delegados Espíritas, dentre outros grupos nacionais e internacionais. Uma boa notícia nesse sentido: em março último realizou-se o I Encontro Nacional de Parlamentares e Políticos Espíritas - imaginem o impacto positivo na política, o interesse real pela moralidade?!.

Vamos, portanto, nos expor mais, pois sempre seremos exemplos. Não temamos essa exposição, é possível – embora eu admita que isso seja, as vezes, um grande desafio – ser espíritas no mundo dos negócios, na vida profissional, na política, nos relacionamentos em geral. 


Recomendo!

By Vania Mugnato de Vasconcelos






17 abril 2012




Muitas pessoas descreem da REENCARNAÇÃO por não recordarem de suas outras vidas. Mas a memória pode surgir em algumas pessoas e quando as informações são comprovadas, acabam tornando-se provas das vidas sucessivas. Darei a vocês apenas dois exemplos, mas podemos encontrar outros com relativa facilidade:

CASO 1:
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A inglesa Jenny Cockell que desde a infância tinha estranhos sonhos que a acompanharam até a idade adulta, via-se em outra época e em outro lugar. Seus pais não davam importância aos seus relatos. Morando na Inglaterra, já com os filhos criados, ao completar 40 anos, apoiada pelo esposo, resolveu pesquisar por conta própria aquilo que os sonhos lhe repetiam. 

Se quiserem ver o FILME baseado em fatos reais, procurem na locadora pelo título "Minha Vida na Outra Vida". 

Vide resumo da história neste link:
http://www.espirito.org.br/portal/artigos/correio-fraterno/mae-inglesa-reencarna.html

23 janeiro 2012

Misticismo e Ortodoxia “ESPÍRITAS”


Caminhando de par com o progresso, o Espiritismo jamais será ultrapassado, porque, se novas descobertas lhe demonstrassem estar em erro acerca de um ponto qualquer, ele se modificaria nesse ponto. Se uma verdade nova se revelar, ele a aceitará. 
[A Gênese, Cap. I, item 5 – Allan Kardec]

Allan Kardec e os Espíritos Superiores fizeram com a Codificação Espírita, um trabalho inigualável. Eles construíram com apenas 05 obras básicas, o alicerce inabalável da descoberta da Verdade, e, qualquer que seja o tema, é possível encontrar nessas obras, alguma referência direta, ou indiretamente através de material moral para ponderar a respeito. Em outras palavras, nem tudo foi dito, mas tudo pode ser analisado com as informações contidas na Codificação. 
Não foi a toa que o Codificador deixou claro o caráter progressista da Doutrina dos Espíritos, ao explicar, em A Gênese, que o Espiritismo não será ultrapassado, pois caminha de par com o progresso. 
Infelizmente, como somos ainda imperfeitos, essa afirmação provoca um processo de extremos no Movimento Espírita (MOVESP), e como todo extremo, a falta de equilíbrio causa prejuízos ao nome do Espiritismo; afinal, um e outro são distintos, enquanto o Movesp é o modo como interagem os espíritas na prática administrativa da realidade espírita, o Espiritismo é rota filosófico-moral que seguem os espiritistas.
Quando Allan Kardec fez a assertiva acima mencionada, sua intenção era esclarecer que a Verdade e o Conhecimento surgem paulatinamente, conforme a humanidade torna-se apta a compreendê-las, seja por seu amadurecimento moral, seja pela ampliação de sua capacidade intelectual; e considerando que nos desenvolvemos constantemente em ambos os aspectos, não se pode limitar o Espiritismo do século XIX a um futuro sem progresso.
Embora essa afirmação, de modo algum o Espiritismo está ultrapassado. Nunca foram tão atuais as informações lá contidas, no entanto, o princípio da literalidade tornou-se verdadeiro verdugo do uso da razão estimulada pelo Espiritismo.
Para uns, pela compreensão literal do caráter progressista da doutrina, a crença é absorver qualquer novo conhecimento, criar uma miscigenação espírita que vivifique o que foi “ultrapassado” na palavra de Kardec, tentando incorporar ao Espiritismo terapias alternativas, metodologias suspeitas e conteúdos duvidosos de autoria e prática de pretensos “espíritas”. A empolgação surge como pano de fundo nas novidades ‘neo-espíritas’.
Para outros, a compreensão literal de que estando fora da Codificação e sem ter passado pelo CUEE (Controle Universal do Ensino dos Espíritos) não é Espiritismo, barra completamente toda possibilidade de progresso, pois tudo o que não se menciona com todas as letras nas Obras Básicas, deve ser rejeitado completamente, e isso inclui obras sérias que subsidiam a Codificação, como as de Francisco Cândido Xavier.
Nem tanto ao céu, nem tanto à terra, diz o ditado popular. O equilíbrio é o pai do sucesso, e todo extremo lhe corrompe as melhores intenções. Quando o Espiritismo fala de progresso, uma vez que não surgiu ainda no Movimento Espírita outra pessoa com a competência analítica de Kardec, estamos falando do desenvolvimento do PENSAMENTO ESPÍRITA, que nos torna mais aptos a análises críticas sem adulterar-lhe a estrutura – coluna mestra do Espiritismo – que é a Codificação.
Mas num extremo, o MISTICISMO, o qual se embrenha perigosamente no Movesp, mistura-se nos lábios dos mais empolgados ao nome Espiritismo, numa devoção exagerada e tendência a acreditar no sobrenatural, a apegar-se a ritos disfarçados de métodos e justificando como ‘ordens de mentores’, a inserção de aplicações não espíritas nos Centros. É assim que vemos CE’s aplicando radiestesia, cromoterapia, fitoterapia, cristalterapia, apometria, entre outras “ias” que foram criadas como alternativas de tratamento físico e espiritual.

“A Doutrina Espírita centraliza-se no amor e todas essas práticas novas, das mentalizações, das correntes mento-magnéticas, psico-telérgicas para nós espíritas merecem todo respeito, mas não tem nada a ver com Espiritismo. Seria o mesmo que as práticas da Terapia de Existências Passadas nós as realizarmos dentro da casa espírita, ou da cromoterapia ou da cristalterapia, fugindo totalmente da nossa finalidade. A Casa Espírita não é uma clínica alternativa, não é lugar aonde toda experiência nova vai ser colocada em execução.” (Trecho de Palestra de Divaldo Pereira Franco)


Observem que não se coloca em julgamento a utilidade destes tratamentos alternativos. Nem mesmo seu sucesso. Nem a idoneidade de quem os pratica. Apenas alertamos para que se deixe fora do Centro Espírita aquilo que não é Espiritismo.

No outro extremo, a ORTODOXIA restringe brutalmente qualquer passo adiante no conhecimento espírita. Por causa dessa declaração de Verdade, que é a qualidade do ortodoxo, não se aceita como obras e temas complementares, esclarecedores das informações da Codificação, nem mesmo o que provém de pessoas cujo tempo e atividade constante no Bem, provou idoneidade e seriedade absolutas, como por exemplo, Chico Xavier; porque nas obras básicas não se citou o nome “colônia” ou “umbral”, descartam-se sumariamente as informações de André Luiz ou Emmanuel; porque na Codificação não se falou de doação de órgãos, uma vez que a ciência médica ainda não havia se desenvolvido a tal ponto, recusa-se peremptoriamente a aceitar sua licitude.

Na ORTODOXIA, temos um conceito de que tudo aquilo que veio após Codificação Espírita, seja mera opinião, não importando a autoria, e como tal, não deve ser considerada. No MISTICISMO, tudo aquilo que veio após, pelas mãos de um médium e um espírito, é lícito.

Ponderemos! Não perdemos negando a possível veracidade de farto material manifestadamente idôneo que existe? Não defendemos a inserção das palavras “colônia” e “umbral” nas Obras Básicas, mas defendemos que se utilize as Obras Básicas para avaliar que se falou de muitas moradas, e entre elas estes dois estados podem estar inseridos – a diferença de nomes é mera forma para favorecer a compreensão.

Não perdemos absorvendo cegamente, sem critérios racionais, o que outras terapias espirituais utilizam, se contrariam os pilares do Espiritismo com ritos dos quais procuramos arduamente nos desapegar? Não perdemos aceitando informações que contrariam a lógica e a própria obra espírita, quando se fala de gravidez espiritual, por exemplo?

Obviamente tudo o que se disse aqui é opinião.
Mas o bom de ter opinião é que para isso foi preciso refletir!
Usemos a razão, não sejamos marionetes dos que ousam mais que nós.

Há muito se foi o tempo em que os detratores do Espiritismo, encarnados e desencarnados, faziam de tudo para nos afastar da doutrina. Hoje eles avançam para dentro das casas espíritas, vestem as camisas de trabalhadores e mentores, fazem-nos focar em novas terapias e ortodoxias, estimulam brigas por pensamentos diferentes, provocam exacerbado interesse pelo poder, alimentam vaidades e melindres, insuflam equívocos em forma de romances “água com açúcar”, enfim, agem em todas as frentes para que não façamos apenas o que é necessário: estudar para raciocinar, compreender para praticar ESPIRITISMO.

Fraternais abraços!
Vania Mugnato de Vasconcelos


Texto original postado no antigo Blog Espiritismo SEM Melindres, em 23/jan/2010.

21 janeiro 2012

Evangelho no Lar




"Porque onde estiverem reunidos em meu nome, lá estarei presente." (Jesus, em Mateus 18:20)


Com alguma frequência convidamos aqueles a quem amamos e aqueles por quem sentimos afinidades afetivas e espirituais, a frequentar nosso lar. Nos preparamos para recebê-los, desmarcamos outros compromissos, lhes damos a devida atenção. Mas quão poucas vezes fazemos o mesmo com os amigos da espiritualidade que nos protegem diariamente!

O "Evangelho no Lar" é o momento semanal em que convidamos o Cristo e seus servidores do Bem, a nos visitar. Nós os convidamos ao nos comprometermos com o dia e hora marcados, através da prece que abre a porta para sua entrada em nosso lar, ao compartilhar com eles a leitura do texto evangélico, ao trocar ideias através dos comentários que fazemos sobre o que entendemos do que lemos, enfim, despedimo-nos convidando-os a retornar ao realizar a prece e as vibrações pelo bem do nosso lar e do próximo.

Muitos começam, mas desistem porque não têm companhia para o encontro espiritual da semana, outros abandonam pelas dificuldades da vida material (o telefone que toca, o cachorro que late, a campainha que chama...), outros ainda esmorecem por falta de compromisso de fé, esquecendo que se fosse outra a circunstância não deixariam jamais de cumprir sua parte no encontro marcado.

As dificuldades são testes de vontade para tudo, inclusive para esse momento. Vale a pena o esforço na direção almejada pois o Cristo em nosso lar significa mais paz, mais amor, mais proteção, mais coragem, mais resignação. 

A continuidade do exercício da prece no lar, ainda que não tenhamos senão a companhia espiritual, afasta os espíritos inferiores e tumultuadores, dificultando que nos assediem e estimulem as imperfeições que ainda carregamos.

Não custa nada e vale muito dedicar 20 ou 30 minutos do nosso tempo, dentre os mais de 10 mil minutos semanais que possuímos para viver outros momentos! 

Faça o evangelho com sua família, ou mesmo sozinho se de outro modo não for possível. É importante para nossa evolução e proteção. Para saber mais detalhes sobre como e porque realizar o "Evangelho no Lar", siga as dicas deste link:

http://www.kardecian.org/evangelho-lar.html#que

Muita paz!
By Vania Mugnato de Vasconcelos



12 janeiro 2012

Melindre...



Já ouviram falar de melindre? 

É uma palavra bonitinha que define o estado de espírito em que entra uma pessoa por possuir a suscetibilidade de se ofender, aquela cujo despeito ou mágoa a faz sentir-se ofendida pelo que outrem lhe diz (definições de dicionário).

Muitos de nós, eventualmente, nos melindramos (isso é fato), mas nem todos admitem que são facilmente melindráveis. Como saber se somos assim? Quando esperamos que amigo seja aquele que só diz o que queremos ouvir; quando achamos que apoio é somente concordância com aquilo que pensamos; quando imaginamos que qualquer controvérsia é ofensiva; quando qualquer coisa que se diga como pensamento pessoal soa como um dedo apontado em nossa direção, estamos sofrendo de "melindre".

É bastante óbvio que o melindre é uma das facetas do orgulho, e como podemos dizer sem medo de exagerar que a maioria de nós ainda é orgulhosa, não é difícil que nos envolvamos nas teias do melindre também.

Analiso-me e questiono se também sofro desse mal... sim, concluo, muitas vezes melindrei com o ponto de vista alheio pensando que suas ideias eram uma crítica desconstrutiva ao meu próprio modo de ser. Mas bendito o tempo que traz experiências e nos amadurece! Hoje posso dizer que minimizei muito essa imperfeição, pois compreendi que me ofendo somente se assim o desejar.

Quando esperamos demais do próximo, o qual nem sempre tem o que nos dar e verdadeiramente não é obrigado a pensar diferente porque discordamos dele, nos tornamos suscetíveis de nos magoarmos desnecessariamente. 

Recordemos que somos indivíduos com histórias diferentes! Isso deve ser considerado uma virtude, pois quão triste e desmotivadora seria a igualdade de personalidade e caráter! Crescemos por causa das diferenças, amamos por causa das diferenças, aprendemos por causa das diferenças.

Não nos melindremos tanto... o próximo tem direito de ser o que é sem que isso seja necessariamente uma ofensa dirigida a nós.


09 dezembro 2011

CÉLULAS TRONCO E CONGELAMENTO DE EMBRIÕES



Não podemos abordar esse tema a partir de uma perspectiva científica uma vez que não possuímos conhecimentos técnicos para tanto. Faremos rápidas reflexões de teor moral, sem a pretensão de esgotar o assunto ou abranger todas as hipóteses. 

Sendo Deus o Criador de tudo, o foi também da natureza e da ciência. Deus deu ao homem a capacidade intelectual e mental de desenvolver a inteligência, conhecer e utilizar as Suas leis e materiais infinitos, para o bem da humanidade. 

A ciência se desenvolve por permissão divina, mas o modo como é utilizada, depende do homem. Essa premissa nos faz ponderar, então, se certos avanços da ciência podem ser bons e morais ou se tornarem maus caminhos para o progresso. 

Células tronco, falando de modo leigo, são células “mãe”, que geram todas as demais; delas podem sair um neurônio ou uma célula cardíaca, uma célula óssea ou do pulmão; são a partir delas que o embrião começa a formar seu organismo, especificando a função de cada parte do seu corpo. 

Dito isso, fica fácil entender que tais células são capturadas a partir dos embriões, embora se saiba que também no cordão umbilical elas existem. Uma vez que as células tronco têm capacidade de se tornar qualquer tecido, servem para descobrir a cura de doenças e recuperação de órgãos como nunca antes se conseguiu fazer. 

A questão a se pensar é: será lícito que se criem embriões com objetivo de congelá-los, para posteriormente utilizá-los como fonte de células, sem considerar sua condição potencial de vida humana? Haverá vida espiritual nesses embriões? 

O Livro dos Espíritos afirma na questão 344, que no ato da concepção o espírito se liga ao feto ainda que o processo seja concluído no nascimento; embora isso, há uma explicação de que podem existir natimortos sem alma (questão 356) os quais serviriam de prova para os pais. Mas como saber que embrião possui alma ou não? Não sendo possível distinguir um do outro antes do nascimento, como decidir que embriões potencialmente ligados a espíritos sejam colocados sob congelamento para, se não usados, serem destruídos e descartados após poucos anos? 

Há algum tempo houve uma reportagem que mostrou uma criança cujo embrião havia sido congelado e, pelo prazo legal, deveria ter sido descartado. Seus pais, no entanto, continuaram o processo e eis que o embrião se tornou pronto para nascer e é hoje um garoto saudável. 

Entendemos que a ciência deve ser usada para o bem, mas quando há dúvida se é moral aquilo que se fará com ela, não se deve fazer sob pena de contrariarmos as leis divinas da reencarnação e do amor ao próximo, pois o reencarnante também o é. Compreendemos que se existem alternativas como as células tronco do cordão umbilical, significa que temos uma escolha moral a fazer, iremos destruir embriões por serem mais completos ou fazer campanhas de doação de cordão umbilical como se faz de medula óssea, talvez? 

Em tempo, a AME Brasil – Associação Médico-Espírita do Brasil – é contra a utilização de células tronco embrionárias, como descrito em seu site na Internet, com argumentos mais completos e científicos que os nossos. Pesquisem e concluam. 

Grande e fraternal abraço!
Vania Mugnato de Vasconcelos


24 outubro 2011

A vida e o aborto na visão espírita




Viver é a “aptidão de existir”. 

Podemos dizer que há dois “tipos” de vida, a carnal e a espiritual. A vida espiritual surge antes no nascimento, obra divina que nenhum humano pode criar, repetir ou modificar. Somente Deus sabe como e quando criou cada um dos Espíritos que existem e somente Ele sabe o que é necessário para que estes espíritos evoluam até a perfeição. Já na vida material, embora o corpo físico também seja obra de Deus, existe uma contribuição direta nossa, pois o templo de carne onde residimos durante a encarnação é gerado pelas vias naturais do sexo e da concepção. 

Atenhamo-nos, à vida material, ou carnal, se preferirem falar assim. 

Todos os espíritos precisam encarnar e reencarnar até aperfeiçoarem-se, pois esse é o processo que leva à completa evolução. Podemos comparar as incontáveis encarnações com os diversos anos vividos nos bancos escolares, onde cada aluno (ou, comparativamente, a alma = espírito encarnado) aprende o que aquele ano letivo (ou encarnação) tem a ensinar. Mesmo os alunos relapsos, os repetentes, rebeldes, não saem da escola nem da vida carnal, sem absorver alguma nova experiência, capacidade, conhecimento.

É necessário nascer para evoluir, assim como é necessário estudar para vir a ser Doutor algum dia – essa é a lei. 

Esclarecido isso, como fica a questão do aborto? 

Dissemos que a encarnação é necessária, pois sem ela não progredimos, não expiamos erros do passado, não corrigimos enganos gerados por antigas imperfeições morais, não provamos que evoluímos. Ser impedido de nascer, portanto, é causa de grande dor ao espírito reencarnante, dor tanto mais cruel por ser causada através da decisão e ato de alguém que já esteve na condição de espírito e recebeu dos que o conceberam, a sua própria oportunidade de nascer.

O aborto, sob a ótica das leis naturais, divinas, é crime que viola compromissos assumidos entre o reencarnante e os futuros pais, os quais se ajustam para gerar o corpo que aquele receberá, de modo que passe por experiências diversas as quais possibilitam o estreitamento dos laços já existentes de amor, ou, ainda, que os crie, pois é por meio da convivência que desafetos do passado aprendem o perdão mútuo e o respeito, até que a confiança e o amor desabrochem em seus corações. 

Entendemos que muitos tenham justificativas aparentemente plausíveis para cometer o aborto, mas antes de tudo devem questionar-se se não é o egoísmo que fundamenta essa decisão. Quantos abortos são cometidos porque houve imprudência no ato sexual; porque a condição financeira não é suficiente (será algum dia?); porque houve desejo, mas não há amor; porque não se deseja modificar o corpo ou ter a responsabilidade de cuidar de uma criança? 

Segundo a Doutrina Espírita, apenas em situação de provável perda da vida da mãe, o aborto se justificaria perante a lei de Deus, pois então seria sacrificado o ser que ainda não concluiu o processo de encarnação invés de perder uma que está em plena atividade (vide questões 357 a 360 de O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec). 

Mesmo em caso de violência sexual, para a qual até alguns espíritas estranhamente apoiam o aborto, esse ato é completamente questionável. Sabemos da programação preencarnatória, conhecemos a lei de ação e reação, temos consciência de que não existe acaso ou azar. Se não houver condições morais de aceitar a maternidade, seria tão impossível suportar apenas nove meses de uma gestação para doar aquele ser que anseia apenas o colo e o calor de um amor maternal? Há mães de braços vazios, esperando seu filho surgir de algum recanto escondido. 

Não ao aborto.
Sim à vida, ao gesto de amor.

Abraços repletos de vida!
Vania Mugnato de Vasconcelos